Agroindústria ganha novo estímulo na região

MICHELLE TREICHEL
michelle@gazetadosul.com.br

A diversificação das propriedades rurais está sendo debatida há muitos anos no contexto da agricultura familiar, especialmente em regiões onde a monocultura prevalece. Desde o ano passado, o Arranjo Produtivo Local (APL) Agroindústrias Familiares do Vale do Rio Pardo integra esforços para agregar renda para os agricultores. A intenção é buscar, por meio da cooperação entre empresas, produtores, comunidades e instituições públicas e privadas, ganhos econômicos que aumentem a eficiência produtiva e lucratividade, com reflexos em toda a sociedade.
Segundo o gestor executivo do APL, Jesus Edemir Rodrigues, o objetivo é consolidar a atividade de industrialização de alimentos através de ações coordenadas, planejadas e focadas em resolver os entraves, além de fortalecer as potencialidades de toda a cadeia produtiva agroindustrial. Desde o enquadramento no Programa de APLs do Estado em 2013, várias ações já foram tomadas para organizar as agroindústrias na região. Um dos primeiros passos foi a mobilização das instituições que formam a Governança – grupo de articulação e coordenação das famílias.
Atualmente o APL VRP está na fase de estruturação, mas esbarra em um problema considerado sério regionalmente, que é a informalidade. “Há aproximadamente 200 agroindústrias nos 23 municípios do Vale do Rio Pardo, mas apenas 45% delas estão legalizadas”, explica. Diante dessa situação, um dos desafios é atuar para que os produtores procurem a formalidade. Hoje Venâncio Aires tem o maior percentual de empreendimentos familiares legalizados, mas mesmo no município há dificuldades, como a rigorosa legislação para enquadramento de novas agroindústrias.
Rodrigues lembra que, para estimular o constante aperfeiçoamento dos empreendedoras familiares rurais, em dezembro do ano passado foi lançado oficialmente o Núcleo de Extensão Produtiva do Vale do Rio Pardo (Nepi), através de convênio firmado entre a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) e a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Apenas em 2014, primeiro ano do convênio, a novidade irá garantir assessoramento e acompanhamento para cem agroindústrias familiares do APL VRP. Através da parceria, a ideia é atender todos os empreendimentos da região até 2016.

Projeções

Conforme o gestor executivo do APL Vale do Rio Pardo, Jesus Edemir Rodrigues, a próxima etapa no fomento das agroindústrias na região será a elaboração do plano de desenvolvimento. O trabalho, previsto para começar em março, irá integrar todos os municípios para levantar as necessidades e demandas do setor. Posteriormente, através do FundoAPL, será possível arrecadar recursos entre as empresas que fazem parte do arranjo produtivo para fomentar as agroindústrias. Os patrocinadores ajudam financeiramente os projetos e, em contrapartida, ganham créditos de ICMS junto ao Estado.

Sonho mais próximo para a família Etges

Fonte: Lula HelferClique para Ampliar

Verônica Etges e os filhos Bruno e Pedro: agroindústria de geleias e schmiers para agregar renda

A atuação do Arranjo Produtivo Local (APL) Agroindústrias Familiares do Vale do Rio Pardo já angariou recursos para alavancar o setor na região. A Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), através do Fundo Estadual de Apoio aos Pequenos Empreendimentos Rurais (Feaper), irá beneficiar 11 empreendimentos com um montante de R$ 110 mil – aproximadamente R$ 10 mil para cada família. Para receber os recursos, os agricultores já encaminharam seus projetos ao Estado, com o auxílio técnico da Emater/RS-Ascar. A expectativa é de que logo outras dez iniciativas também sejam favorecidas.
Os agricultores Adroaldo Emílio e Verônica Etges, proprietários da Pousada Camponesa, estão otimistas quanto à liberação do dinheiro. Na propriedade em Boa Vista, interior de Santa Cruz do Sul, o casal batalha há anos para formalizar uma agroindústria de geleias e schmiers. As receitas, herdadas de família, já fazem sucesso entre os turistas que visitam o local. “Queremos colocar um sonho em prática. O APL VRP tem sido muito importante para nossa legalização e qualificação”, comenta a agricultora.
Com os R$ 10 mil que devem ser liberados em breve pelo Estado, os Etges pretendem melhorar a infraestrutura de energia elétrica e água para levar adiante o projeto da agroindústria familiar, que já conta com prédio específico para a atividade. “Queremos começar a produzir o mais breve possível para ir além das porteiras da propriedade.” No caminho do aperfeiçoamento, os produtores participaram no ano passado do 2º Seminário de Agroindústria Familiar Formalizar para Crescer, promovido pela Governança do APL VRP em Arroio do Tigre, na região Centro-Serra.

Entenda o APL

APL: o Arranjo Produtivo Local Agroindústrias Familiares Vale do Rio Pardo integra o Programa de Fortalecimento das Cadeias e Arranjos Produtivos Locais (APLs) do governo do Estado. A ideia é reunir todas as agroindústrias familiares da região, juntamente com as entidades que as apoiam, para aumentar a eficiência produtiva e renda.

Governança: grupo de entidades que trabalha na articulação e coordenação dos atores (famílias produtoras) do Arranjo Produtivo Local, constituindo uma base institucional de atuação integrada. Ao total, 87 instituições formam a Governança nos 23 municípios do Vale do Rio Pardo.

Entidade gestora: entidade sem fins lucrativos, que deve ser indicada pela governança do APL para conveniar o Arranjo Produtivo Local com o Programa de APLs da AGDI. A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) é a entidade gestora do APL de Agroindústria Familiar do VRP.

Encontro em Segredo busca agilizar adesões ao SUSAF

APL Vale do Rio Pardo

Com o objetivo de facilitar o ingresso dos municípios no Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (SUSAF), a governança do Arranjo Produtivo Local do Vale do Rio Pardo (APL/VRP) convidou o coordenador regional da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio do Estado (SEAPA), Luiz Fernando Dalcin, para ilustrar os procedimentos necessários para ingresso no programa.

No encontro, ocorrido na semana passada, em Segredo, foi sugerido, como primeiro passo, que os municípios definam a legislação do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), conforme as necessidades de cada comunidade. O passo seguinte requer o envio de ofício à SEAPA solicitando a adesão.

O procedimento, conforme diz o gestor executivo do APL/VRP, Jesus Edemir Rodrigues, deve ser feito o mais rápido possível, visto que o Governo está garantindo o repasse de kit, composto de um veículo, computador e materiais de inspeção, cujo valor pode chegar a R$ 50 mil. O pedido de agilização, explica, vem da limitação do número de kits que serão repassados aos municípios.

O processo de adesão vai exigir ainda a elaboração de processo, que deve ser constituído conforme dita a Instrução Normativa 02/2013, e aguardar a auditoria do SEAPA. No caso do município ser contemplado com o kit, lembra Rodrigues, o mesmo somente vai recebê-lo no momento da homologação do convênio.

Mário André Poll – MTb/RS 11.199
Departamento Comunicação Afubra